terça-feira, 6 de setembro de 2011

11ª Romaria da Terra e das Águas espera reunir 12 mil pessoas em Açailândia (MA)


Cerca de 12 mil pessoas estão sendo esperadas para a 11ª Romaria da Terra e das Águas, que ocorrerá nos dias 10 e 11 de setembro, em Açailândia, Diocese de Imperatriz no Maranhão, região Nordeste do Brasil. A caminhada refletirá o tema "Terra, Água, Direitos: Resistir, Defender e Construir" e o lema É tempo de destruir os sistemas que destroem a terra!.
A caminhada é organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), pastorais sociais da igreja católica de Imperatriz, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Centro de Defesa de Diretos Humanos e Casas Familiares Rurais.
A cidade de Açailância foi estrategicamente escolhida por centralizar ações de mineração da Companhia Vale do Rio Doce e por ser o local onde a estrada de Ferro de Carajás (EFC) faz conexão com a Ferrovia Norte-Sul. Nesse contexto, os participantes denunciarão as agessões à biodiversidade, ao fenômeno da concentração de terra, monocultura, êxodo rural, grandes barragens, entre outras.
Para Padre Dário Bossi, missionário comboniano, da Paróquia São João Batista de Açailândia, a Romaria marca um grande momento dos movimentos sociais da região. "Ela quer chamar a atenção para a realidade daquele povoado de Açailândia, para renúncia do estado que é conivente com as alianças dos grandes empreendimentos, e motivar o povo a ser fiscalizador das grandes obras que atingem quilombolas, indígenas e o povo em geral", disse.
Padre Dário afirma que essas ações dão sentido à escolha do tema, que está em sintonia com as ações desenvolvidas atualmente na região e com a história de resistência do povo de Deus. "O tema é uma referência bíblica, não algo inventado, mas idealizado por Deus para os cristãos na construção de um novo céu e uma nova terra", falou.
Os organizadores afirmam ainda que um dos objetivos principais da Romaria é o enfrentamento à ilusão dos grandes projetos. "Essa ilusão atrelada à promessa de progresso não beneficia o povo que está na base, pelo contrário, viola ainda mais a população e o meio ambiente", criticam.
Denúncias
Dentre as denúncias abordadas pela Romaria, se faz referência às 14 siderúrgicas - que se encontram a uma distância de 150 km umas das outras - principalmente aquelas instaladas nas regiões de Marabá, no Pará, e Açailândia, sem contar que o maior pólo mineral e metalúrgico do mundo está concentrado na cidade de Carajás. O minério de ferro abastece os mercados dos Estados Unidos, Europa, China e Japão.
Para piorar ainda mais a situação, as 300 famílias, vizinhas ao pólo siderúrgico sofrem com a poluição da água, do solo e do ar. Essa informação foi constatada através de pesquisa realizada pela equipe de Recursos Hídricos e Ciências Ambientais do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia (CDVDH) que, por meio de amostras colhidas na água, solo e plantas do local, pode constatar a quantidade de ferro e de poluentes metálicos no ar que causam doenças crônicas e que já levaram várias pessoas à morte por complicações respiratórias.

Fonte: Vias de Fatos

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