segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Remédios controlados são vendidos sem receita médica no Maranhão

Com uma câmera escondida, a equipe do Jornal Hoje foi a uma drogaria de São Luís e, sem receita médica, compramos duas caixas de um dos remédios mais usados para controlar a ansiedade. Até em uma loja de produtos de higiene conseguimos comprar os medicamentos de venda controlada sem receita. A atendente chega a indicar um remédio.
Procurada pela nossa equipe, a mulher negou a venda. O remédio que compramos dela tem a venda proibida no comércio. Segundo a Vigilância Sanitária, o medicamento pode ter sido desviado de algum programa do governo.
“Hoje nós temos um sistema chamado SBGPC – Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados. A porta de entrada é nota fiscal e a saída, a notificação de receita. Dessa forma, nós temos como controlar tudo aquilo que é feito legalmente, mas isso aqui é uma prática ilegal. Com certeza isso aqui é oriundo de carga roubada, por exemplo”, explica Paulo Jess , da Vigilância Sanitária do MA.
Um levantamento divulgado neste mês pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária, revela que remédios usados para controlar a ansiedade e a tensão foram os mais vendidos no país nos últimos três anos. Só no ano passado, foram 10 milhões e meio de caixas comercializadas em todo o Brasil. Os especialistas vêem esses números com preocupação. Muitos pacientes acabam viciados nesses medicamentos e mesmo quando terminam o tratamento continuam usando os remédios.
O psiquiatra Ruy Palhano diz que esses medicamentos viciam rapidamente. “Além da dependência química você começa a condicionar sua vida a partir da medicação. Não sai mais sem tomar remédio, não dorme sem tomar remédio, não tem relações sociais sem medicamentos”.
Todos os medicamentos comprados pela reportagem foram entregues a Vigilância Sanitária que, neste momento, faz uma fiscalização nas farmácias. Uma delas foi fechada agora há pouco.
A Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico disse que as farmácias que vendem sem a receita médica são minoria e reafirmou e que isso é crime que deve ser combatido pela Vigilância Sanitária.

Fonte: O Globo

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