sábado, 14 de janeiro de 2012

Sete internos do sistema penitenciário podem cursar ensino superior no MA

Foto  J. Roberto
Sete internos do sistema penitenciário do Maranhão estão entre os que conseguiram a pontuação necessária no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como excedentes para ingressarem em uma faculdade pública do Estado. A informação é da coordenação geral de educação do sistema prisional do Maranhão da Secretaria de Estado da Justiça e da Administração Penitenciária (SEJAP), órgão gerido pelo secretário Sergio Tamer.
Dentre os presos que podem iniciar um curso superior estão três homens da Penitenciária de Pedrinhas e quatro mulheres, com média de idade entre 20 e 30 anos. Conforme o coordenador geral de educação do sistema prisional, João Lelis Matos, todos os sete internos excedentes estão em regime semi aberto. “Caso eles consigam ingressar, a penitenciária se responsabilizará em deixá-los e buscá-los na instituição de ensino. Eles estudarão e trabalharão durante o dia e voltarão à noite”, contou João.
Uns dos cursos superiores mais desejados pelos internos estão o de administração, serviço social e enfermagem. Das quatro excedentes, duas acreditam na possibilidade de poderem atuar como enfermeiras. Uma dessas que sonham com o curso superior de enfermagem é Elaine Cristina Gonçalves Lima, de 27 anos, presa há quase três anos no presídio feminino, um dos prédios anexos à penitenciária de Pedrinhas, ela disse que ficou bastante aliviada ao saber que é uma das excedentes. “Eu estava ansiosa para saber o resultado, agora estou bem mais calma. Nós nem tivemos muito tempo para estudar e conseguimos ser excedentes, se estudássemos mais tempo teríamos passado em primeiro lugar”, brincou ela.
Elaine disse também que, como já trabalhou como auxiliar de enfermagem antes de ser presa, se identifica muito com a área. “Acho que tenho vocação para ser enfermeira. Já trabalhei na área e gostei muito”, revelou Elaine, que também foi funcionária pública.
Claudemary Costa Cordeiro, de 28 anos, é outra interna que pretende um dia fazer o curso superior de enfermagem. Presa há quase dois anos, ela não esconde a alegria de um dia por os pés em uma faculdade. “Quando eu soube fiquei feliz. Acho que a faculdade é um passo importante na vida e eu quero dar esse passo”, declarou Cordeiro. Conforme ela ainda, depois que sair do cárcere vai correr atrás do tempo perdido. “Quando estamos aqui é que pensamos na tempo desperdiçado. Ao  sair tudo será diferente”, contou.
Mãe de quatro crianças – sendo o mais velho de 14 anos - Claudemary se preocupa com a imagem que vai passar dela para os filhos. De acordo com ela, não é o fato de estar presa que lhe impede de dar um bom exemplo. “Eu mudei muito. Hoje eu sou mais madura. Meus filhos olhando o meu esforço aqui, querendo entrar na faculdade,  é um bom exemplo que eu estou dando”, afirmou a interna.
Preparação para a prova
Para se prepararem, os internos tiveram aulas ministradas por professores da própria unidade. As aulas aconteciam no mesmo local onde ocorreu a prova: na escola João Sobreira de Lima, situada dentro da penitenciária de Pedrinhas. Conforme o coordenador de educação da Sejap, João Lelis, apesar do pouco tempo para se preparar, o resultado foi bastante satisfatório.
“O apoio da Sejap tem sido fundamental para este novo quadro e hoje, este número foi o melhor já alcançado pela equipe de educação do sistema prisional. Ministramos aulas de química, matemática, geografia, português e outras matérias; queremos evoluir cada vez mais”, ressaltou o coordenador.

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