quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Sem avanços, sindicato da PM marca reunião para decidir sobre greve

'Chegamos ao nosso extremo', diz coronel da PM Edmilson Tavares.
Ele participou das últimas rodadas de reunião e reafirma falta de acordo.


Após o fracasso das duas últimas tentativas oficiais de negociações entre governo e grevistas, uma das entidades que representam os policiais militares da Bahia marcou uma assembleia geral, que deve acontecer na quinta-feira (9), em Salvador, para decidir sobre a greve. O encontro da Associação dos Oficiais da Polícia Militar da Bahia (AOPMBA) vai decidir se o grupo, que ainda não aderiu à greve, também deve paralisar as atividades.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) e com a Polícia Militar, não há previsão de abertura de nova rodada de negociações para esta quarta-feira (8).
O coronel Edmilson Tavares, presidente da AOPMBA, diz que a proposta do governo, de pagar as gratificações em prestações ao longo dos próximos anos, não é ideal para a categoria. “Chegamos ao nosso extremo. Queremos apenas que a GAP [Gratificação por Atividade da Polícia Militar], prevista desde 2001, fosse paga integralmente em março. A mesa foi suspensa porque o governo diz que não pode atender. Mas ainda estamos à espera de resposta”, diz. Segundo ele, o objetivo, caso os policiais decidam por greve, o intuito é fortalecer a corporação e não provocar "radicalismos". "Nós queremos que a PM saia forte", afirma.
assunto foi discutido ao longo de sete horas na terça-feira (7), em reunião que contou com a presença de sindicalista, do comandante-geral da PM, Alfredo Castro, do arcebispo primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger; do presidente da OAB Bahia, Saul Quadros; do secretário da Casa Civil, Rui Costa; do secretário da Administração do Estado, Manoel Vitório; e do Procuradoria Geral do Estado, Rui Moraes.
Em nota, divulgada logo após o encontro, Dom Murilo Krieger classificou as consequências do impasse entre as partes como "tristes acontecimentos dos últimos dias". Krieger afirma que embora tenha se colocado à disposição para pôr fim à greve, não demonstrou apoio a nenhuma das reivindicações, nem propostas apresentadas. "O que posso lhes assegurar é que não me alinhei com nenhuma das partes, porque meu compromisso era e é com o povo da Bahia", diz.
Saul Quadros, presidente da OBA-BA, também se manifestou lamentando a falta de êxito nas negociações. "As negociações foram interrompidas depois de 24h [desde o início na segunda-feira], não chegamos a evoluir. A mesma proposta apresentada agora foi a do início da manhã. Lamentavelmente não chegamos a uma negociação", disse Quadros.
Governador pede retorno
O governador da Bahia Jaques Wagner pediu que os policiais militares grevistas retornem ao trabalho imediatamente. Ele também falou sobre a impossibilidade de negociar anistia aos policiais que cometeram crimes desde o início da greve, em 31 de janeiro. Wagnertranquilizou os turistas e baianos que pretendem curtir o carnaval na capital baiana a partir da próxima semana, informando que o esquema de reforço policial na cidade começa na terça-feira (14).
"Há dois movimentos. Para um deles, que é legítimo e reivindicatório, colocamos uma proposta que é o sonho dos soldados e oficiais da Polícia Militar da Bahia, que são as chamadas da GAP IV e GAP V. Com muito esforço orçamentário, ofereci entre 2012 e 2015 o atingimento no contra-cheque dessas duas gratificações. Essa é uma  lei de 1997 e é uma expectativa acalentada por todos eles a atingir isso. Estou garantindo o começo deste apagamento agora em 2012, outra parte em 2013, 2014 e 2015. Portanto, a GAP IV e GAP V farão parte de todos os contra-cheques dos policiais da Bahia. Isso siginifca um aumento de 35% de reajuste para os profissionais da Polícia Militar", disse Jaques Wagner.
AnistiasEle disse ainda que a população já está julgando a ação grevista dos policiais. "Aqueles que querem prestar o serviço à população sabem que a oferta é significativa e acredito que isso possa acontecer nas próximas horas. Existe um processo de intimidação de alguns e por isso, nem todos quiseram assumir a proposta feita pelo governo. Dizer que conquistamos a GAP IV e V é algo muito importante para a Polícia Militar da Bahia", afirmou o governador.
Greve PM-BA (Foto: Editoria de Arte/G1)
"Os policiais que participaram legalmente, dentro das regras, pacificamente do processo reivindicatório, não têm com o que se preocupar. Já dei meu testemunho de que não vou ficar querendo punir quem trabalhou pela melhoria salarial. Porém, todos aqueles que quebraram e intimidaram a população já foram condenados pela própria Polícia Militar e pela sociedade baiana. É óbvio que isso será apurado. Não há como falar em perdão sem apurar atos de vandalismo, se não seria um salvo conduto para aqueles que estão confundindo o direito de reivindicar com o direito de aprontar no estado de direito", disse Jaques Wagner.
Carnaval garantido"O planejamento está todo feito para o carnaval. O investimento de R$ 30 milhões na segurança será mantido. Faço um convite para que os policiais abracem a proposta feita pelo governo. A Operação Carnaval começa na terça-feira com a vinda de policiais do interior para a capital. Assim poderemos dar ao povo a maior festa popular do mundo e ter a eficácia da Polícia Militar da Bahia na resolução de conflitos", disse o governador da Bahia.
Prisões
Segundo ele, ficou acertado que as pessoas que forem detidas porque tiveram prisão decretada não iriam para presídios de segurança máxima e ficariam na Bahia, em presídios militares, até que a Justiça decidisse a respeito disso.
Fonte: G1

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