segunda-feira, 19 de março de 2012

As trapalhadas do governo na crise da cervejinha

Até para decidir se os torcedores poderão ou não tomar uma cervejinha durante os jogos da Copa do Mundo no Brasil em 2014, um compromisso assumido em 2007 com a Fifa, o governo se atrapalha todo e arruma nova confusão no Congresso Nacional.
É uma trapalhada atrás da outra, mostrando a desarticulação política do Palácio do Planalto no início do segundo ano de governo da presidente Dilma Rousseff.

Depois de anunciar, na quarta-feira, que proibiria a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, o governo foi obrigado a voltar atrás no dia seguinte ao descobrir que havia um contrato assinado entre a Fifa e o governo brasileiro, assegurando este direito aos organizadores do Mundial.
Desta vez, não foi a desastrada Ideli Salvatti, ministra de Relações Institucionais, encarregada de fazer a articulação política com o Congresso Nacional, a responsável por mais uma trombada do governo, mas a sua colega Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, que deu informações erradas ao novo líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia.
Gleisi e Ideli estavam se estranhando com os antigos líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, e no Senado, Romero Jucá, e levaram a presidente Dilma a trocar os dois de uma vez só para tentar melhorar as relações com a base aliada no Congresso Nacional.
O episódio da crise da cervejinha mostrou logo na primeira semana que a mudança de líderes não resolveu problema algum _ ao contrário, só agravou o crescente clima de tensão entre o governo e a sua base aliada.
Nem o PT escapou. Metade do partido da presidente não gostou da indicação de Chinaglia e da forma como Cândido Vaccarezza foi apeado do cargo ao saber do seu destino pela imprensa.
Ligado ao grupo de Vaccarezza, o relator da Lei Geral da Copa, Vicente Cândido, do PT de São Paulo, tinha acertado tudo com o antigo líder para a liberação das bebidas nos estádios, que Chinaglia não queria, e resolveu mudar o projeto baseado no que Gleisi Hoffmann lhe informou por telefone. A votação da lei foi adiada para a próxima semana.
É bom lembrar que nos primeiros dias do governo Dilma, quando estava tudo combinado entre ela, a direção do partido e o ex-presidente Lula para que Vaccarezza fosse o nome indicado pelo PT para a presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia liderou uma dissidência que levou ao cargo o petista gaúcho Marco Maia.
Vacarezza foi consolado com a liderança do governo na Câmara, cargo que agora perdeu para Chinaglia. A disputa entre as diferentes correntes do PT é apenas um sinal das dificuldades que Dilma vem encontrando para superar a crise, já que não quer assumir ela própria a articulação política e ninguém da sua equipe no Palácio do Planalto tem aptidão para a tarefa.
Dilma recusa-se a falar sobre os problemas na área política e não autoriza ninguém a dar entrevistas em nome do governo. Desta forma, o que já não ia bem pode piorar, sem perspectivas de que surja alguém capaz de fazer este meio de campo entre o governo, os partidos e o Congresso Nacional.

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