sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A estratégia do Diabo

Um linguajar de purgatório norteia o jornalismo sarneisista neste momento. Pessoas e autoridades são tratadas publicamente como se insultos e palavras de baixo calão fossem prerrogativas da imprensa; o título da coluna “Estado Maior”, ontem, por exemplo, é um primor da evisceração moral de qualquer autoridade. “O dono do prefeito” é como se dissessem marionete, é uma referência perversa a seres sem vontade, acéfalos, sem personalidade própria.

E vão mais longe: ser evangélico, não freqüentar os festins de Baco, não engolir bebida destilada, não aspirar substâncias narcotizantes e se entregar à jogatina virou pecado capital. É crime, na Bíblia Negra escrita nos bastidores do poder. E, mais que a Guerra Santa, preparam a Santa Inquisição. As fogueiras já estão acesas. Os pecadores, ou seja, todos os que não compraram a indulgência do sarneisismo, já foram escolhidos. Preparem-se para arder.

Essa, entretanto, é a mais antiga estratégia do Diabo: jogar cristãos contra cristãos. Estamos diante da Besta do Apocalipse, dos espíritos enganadores assistidos pelo apóstolo João. Eles tentam se aproveitar da ausência devidamente representada do prefeito a uma festa de carnaval, para jogar católicos contra evangélicos e promover em São Luís uma Guerra Santa Eleitoral que lhes ponha em vantagem, visto que os católicos são em maior número. Eis aí um ato totalmente digno dos mais secretos desejos de Belzebu.

Na Bíblia Negra do sarneisismo tem um versículo inconfundível: “Amarás a teu Sarney sobre todas as coisas”. Seus seguidores, ideologicamente conscientes desse dogma, os sacerdotes da nossa “Santa Inquisição” particular, preparam A Esfola, a remoção da pele de todo mundo que não reze conforme os salmos infernais difundidos a partir da Ilha de Curupu. Haja bajulação!

Estão brincando com Deus, senhores! Não se planeja uma maldição como essa contra a cidade em que se nasceu ou cresceu. São Luís não merece isso e, por mais que vocês não queiram, católicos e evangélicos vão continuar vivendo em paz aqui e cultuando a mesma fé que sempre professaram. Sem escolhas políticas forçadas pela inversão do evangelho ou por tribunais de exceção eclesiásticos recém-consagrados por reles mortais de Mefistófeles.

Nunca no Maranhão se havia confrontado a religião de qualquer autoridade; nunca ninguém tinha tido uma idéia política tão vil. Até porque, entre pessoas que conservam a sanidade mental, tal idéia seria impensável. Vai ver, estavam sonhando com carnavalescos armados até os dentes atacando igrejas ou com alguma turba-multa de fanáticos gritando impropérios contra a fé de seus semelhantes. Não tem outra palavra. É repugnante.

E também insinuam na matéria que o prefeito será contra as festas juninas, já que elas se manifestam em nome de São João e São Pedro. Haja bajulação! Porque não constroem logo a primeira capela de São Sarney e vão para lá rezar, todos os dias, em romaria, em latim ou sânscrito para que ninguém possa entender e sair correndo?

Editorial do JP, 15 de fevereiro

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