quinta-feira, 23 de maio de 2013

Caso Décio: áudios mostram ligações entre acusados dias antes das prisões

Uma série de áudios das interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça de membros do que o Ministério Público e a Polícia Civil afirmam ser a quadrilha que encomendou a morte do jornalista Décio Sá revela detalhes de como os acusados se comportaram nos dias que antecederam ao desencadeamento da Operação Detonando, em 13 de junho do ano passado.

As conversas que você pode ouvir a seguir têm como principais personagens Gláucio Alencar e os investigadores da Polícia Civil Alcides Nunes e Joel Durans, e foram travadas nos dias 11 e 12 de junho.

Na primeira delas, Gláucio Alencar combina com Alcides um encontro no São Luís Shopping. Ele diz estar “agoniado”.

“Eu tava agoniado aqui. Vamos fazer o seguinte: eu ainda tô agoniado, vamos marcar amanhã meio-dia pra gente almoçar lá no Shopping São Luís”, relata o acusado, às 15h21 daquele dia.

Mais tarde, às 18h, Alcides e Durans conversam sobre uma viagem que teriam que fazer a trabalho naquela semana. Àquela altura, uma segunda-feira, faltavam menos de 48h para as prisões dos acusados.

Na conversa, no entanto, os dois agentes falam “resolver aquele negócio daquele ‘caboclo’ antes da viagem”.

O terceiro áudio é de uma nova conversa entre Alcides e Durans no dia 12 de junho, às 6h44 da manhã. Na noite anterior, por volta de 21h, havia sido assassinado Valdênio José da Silva (reveja aqui e aqui).

Os dois comentam a morte e Alcides diz que está com medo. Os dois ainda fazem comentários sobre a atuação da cúpula da Segurança, que já investigava a morte de Décio há mais de um mês.

Alcides: Mataram aquele ‘caboclo’ lá da Pirâmide, né, envolvido na morte do Décio Sá.

Durans: Mataram ele de noite ontem. Um cara me ligou, que mataram ele umas nove horas da noite. Rapaz, olha como é que negócio tá.

[...]

Alcides: Rapaz, não tão mais respeitando [ininteligível] . Já tô com medo, já. Eu acho que ele não tinha nada a ver, mas andou falando acho que besteira. Ele falou uma ‘ruma’ de coisa pra mim.

Durans: Não tinha nada a ver com a morte do cara [de Décio].

Oficialmente, Alcides diz que aproximou-se da quadrilha para investigar a agiotagem. Mas na SSP os colegas dele não se convenceram muito dessa versão. Tanto que a inclusão dele e de Durans na viagem sobre a qual falaram na noite do dia 11 de junho foi arranjada como estratégia para tirá-los da cidade antes da deflagração da “Operação Detonando” e evitar o vazamento antecipado de informações aos acusados.

                                                       

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