sábado, 23 de novembro de 2013

Assistência a mulheres vítimas de violência é tema de encontro na Maternidade Marly Sarney

Discutir o papel do hospital e maternidade como integrante da Rede Estadual de Enfrentamento a Violência Contra a Mulher foi o principal objetivo de fórum realizado quinta (21) e sexta-feira (22) pela Maternidade Estadual Marly Sarney. O evento foi organizado pelo Núcleo de Educação Permanente (NEP) da unidade.
Participaram do evento médicos, enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais de diversas áreas da saúde que integram o corpo de colaboradores da unidade, com vistas a melhorar o atendimento a pacientes mulheres, mães e adolescentes em situação de risco para violência, sofrendo violência doméstica ou fora de casa.
De acordo com o diretor da unidade, Frederico Barroso, o evento foi pensado para integrar e apresentar a visão da justiça e Delegacia Especial da Mulher, entre outros órgãos de defesa dos direitos da mulher, para estreitar a relação entre eles e o hospital na busca por um atendimento global a pacientes vítimas de violência.
A diretora clínica da maternidade, Socorro Baride, salienta ainda que esta conduta demonstra a preocupação de garantir um atendimento dentro dos padrões e do que preconiza o Ministério da Saúde para estes casos, por meio de regulamentação em portaria.
"Prestamos este tipo de assistência desde 2000, de forma humanizada, e a paciente que nos procura passa por um atendimento multiprofissional, para que seja feito acolhimento seguido de atendimento clínico com anaminese. Ela recebe tratamento profilático, medicamentos e aconselhamento feito por profissionais da área médica e assistência social.
Uma das entidades participantes do fórum foi o Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas (Cemicamp), integrado a UNICAMP, que junto com o Ministério da Saúde desenvolve o projeto "Superando Barreiras", que leva para profissionais ginecologistas de todo país treinamento avançado, discussões e condutas sobre a violência contra a mulher e aborto previsto em lei mediante casos de violência sexual.
Durante palestra, o professor e médico ginecologista Aloísio Bedone apresentou o trabalho da entidade e os conceitos básicos de violência contra mulher. "A violência contra a mulher não está só no âmbito físico, atinge também o fator psicológico, moral e social da paciente. Há casos que evoluem para a agressão após todo um processo de repressão, de humilhação, de destruição de auto-estima que iniciam com pequenas práticas coercitivas, invasivas, muitas das vezes até não percebidas imediatamente", explicou o professor. 
"Avanços em âmbitos legais são importantes para garantia de direitos e proteger a mulher do possível agressor. Mas no âmbito da assistência não se consegue prestar o auxílio a esta pessoa agredida de forma unilateral e isolada", diz.
Desde 2000 até julho deste ano o Hospital e Maternidade Marly Sarney já atendeu mais de 300 mulheres vítimas de violência sexual. Deste total, em 12 casos foi feita a interrupção de gravidez levando em conta os procedimentos e parâmetros legais.

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