quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Bola da Copa do Mundo é lançada no Rio


Cafu, Hernane e Seedorf durante a apresentação da Brazuca Foto: ivo gonzalez / Agência O Globo
Cafu, Hernane e Seedorf durante a apresentação da Brazuca ivo gonzalez / Agência O Globo
RIO - Após ser testada durante dois anos e meio, por 600 jogadores de dez países, a Brazuca, a bola oficial da Copa no Brasil, foi apresentada nesta terça num evento realizado pela Adidas no Parque Lage, no Rio. Ela é toda colorida, segundo a fornecedora de material esportivo, para que represente o estilo de vida dos brasileiros. Apresentada pela atriz Sheron Menezes, a festa contou com Cafu, Seedorf e Hernane, que brincaram com a bola, que pesa 437 gramas e tem 69cm de circunferência.
— Achei a bola bem mais leve que a do Brasileiro — disse o artilheiro do Flamengo.
Antes da apresentação, a Adidas homenageou às seleções patrocinadas por ela, como Argentina, Espanha e Alemanha, entre outras. Apesar de não patrocinar a seleção brasileira, ela dá sorte. Logo no primeiro Mundial da Adidas como fornecedora oficial, em 1970, o Brasil foi campeão mundial — feito que repetiria nas Copas de 1994 e 2002.
A Brazuca — 77,8% escolheram este nome pela internet — reúne os sonhos de milhões de brasileiros. A começar por aqueles que nasceram ontem. Quem comprovar com certidão o nascimento pode dizer que o bebê nasceu com a bola nos pés, porque receberá uma Brazuca ao apresentar o documento nos postos de troca a serem divulgados pela Adidas.
O colorido da bola significa o estilo de vida dos brasileiros e ela tem referência à bandeira nacional e aos títulos da seleção.
- O Brasil tem essa energia e isso será um diferencial para sua seleção. Se sonho com a Copa? Sim, continuo sonhando porque jogar a Copa é o sonho de todo jogador ao redor do mundo. É o meu sonho de menino. Sempre foi - disse Seedorf.

Naquela trilogia de lances, o gol, como viria a dizer Parreira, virou um detalhe. E a bola, em si, já era uma atração à parte na primeira Copa transmitida ao vivo e em cores pela TV. A Telstar em preto e branco era estrela da transmissão colorida. Seu nome era a indicação do futuro de um futebol cada vez mais midiático: Estrela da Televisão. O modelo Telstar fez sucesso e perdurou até o próximo Mundial, em 1974, na Alemanha, em uma versão levemente modificada.
O fim da década de 1970 foi o começo da preocupação com o design. Mas mesmo quando pensou em uma bola moderna, o fabricante queria exibir o tradicional. Em 1978, na Argentina, a bola foi batizada, obviamente, de Tango. Um alento para quem reclama da originalidade da Brazuca. No Mundial vencido pelos donos da casa, a mesma bola era dividida em tríades, dando a impressão de 12 pequenos círculos. Era arrojada e, ao mesmo tempo, tentava transmitir a paixão pelo esporte.
No país das touradas, a Copa foi jogada com a última bola fabricada com couro genuíno. Na Espanha 1982, o nome Tango foi mantido, e a bola recebeu um revestimento capaz de torná-la resistente à água. Pena que não foi capaz de evitar as lágrimas pela eliminação daquela apontada como a última seleção a jogar o futebol-arte. A Tragédia do Sarriá causou feridas abertas até hoje.
De volta ao México dezesseis anos depois do batismo da bola, em 1970, a Copa do Mundo experimentou tempos diferentes em 1986 e concedeu o trono ao novo herói, Maradona, da campeã Argentina. Batizada de Azteca, e fabricada com poliuretano, em um processo distante do artesanal, a bola tocou a “mão de Deus” na partida que Diego eliminou a Inglaterra. Na imagem eternizada em todos os ângulos, a Azteca saiu bem na foto, colada ao braço esquerdo de Maradona, enquanto Peter Shilton tentava tirá-la de sua área. No mesmo jogo, Maradona fez aquele que foi considerado o gol do século ao driblar meio time da Inglaterra.
Batizada de Etrusco em 1990, na Itália, a bola apresentou tantas inovações quanto aquele Mundial de baixo nível técnico. Apesar do nome em homenagem à contribuição dos povos italianos à arte, o que se viu em campo foi um futebol pragmático, que seria ainda mais disseminado ao término da competição vencida pela Alemanha.
A busca pela estrela foi o tema usado para batizar a bola da Copa de 1994, Questra (Quest for the stars). Nome apropriado para o Brasil, que conquistou sua quarta estrela na campanha do tetracampeonato. Foi o segundo Mundial vencido pelo Brasil com uma bola cujo nome remetia às estrelas. Foi inspirada na tecnologia espacial e na velocidade dos foguetes americanos. E talvez tenha sido por isso que Baggio mandou o pênalti decisivo pelos ares.
Na Copa que o Brasil perdeu em 1998, a França, como dona da casa, já saiu na frente ao ter uma bola em sua homenagem, nas cores do país: vermelho, branco e azul. A Tricolore rompeu com o tradicional estilo em preto e branco e fez o Brasil sair de Paris com a amarelinha desbotada.
Em sua terceira final consecutiva, a seleção voltou ao topo na Coréia do Sul e Japão, em 2002. O novo milênio trouxe uma bola totalmente diferente de tudo que havia sido feito. A Fevernova rompeu com o estilo de desenho apresentado desde a Tango-78 e trouxe um desenho futurista. Uma combinação de materias utilizados na fabricação, no entanto, deixou a bola com a aparência de um “brinquedo de criança”, nas palavras do goleiro italiano Buffon. E “leve”, na classificação de Edílson. Como o espírito brasileiro após o penta.
Desde 2002, o design jamais foi repetido. Teamgeist, ou Espírito de Equipe, em alemão, foi o nome de batismo da bola em 2006. Justa homenagem da fabricante aos anfitriões e carregava a frase “Tempo de fazer amigos”, em inglês. Prometia mais controle aos jogadores. Quatro anos depois, a Jabulani veio ao Mundial com 11 cores diferentes para glorificar as etnias e dialetos sul-africanos. Um deles, o isiZulu, foi utilizado para batizá-la. Jabulani significa Celebrar.

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