segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Mais seis são presos acusados de participação de ataques a ônibus em São Luís

A polícia prendeu, nesta segunda-feira (6), mais seis pessoas acusadas de participação nos ataques a ônibus ocorridos em São Luís, na última sexta-feira (4). Entre os detidos estão dois menores.

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Presos são apresentados à imprensa em São Luís
Com essas prisões, até agora já são 16 pessoas presas suspeitas de participação nos incêndios.
Segundo a polícia, uma das pessoas que foram presas está com queimaduras pelo corpo, principalmente no braço esquerdo, o que evidencia a participação nos incêndios criminosos.
POLICIAMENTO É REFORÇADO NO MARANHÃO APÓS ONDA DE ATAQUES
·          Na noite de sábado (4), o suspeito de coordenar os ataques aos ônibus foi preso pela polícia no bairro Monte Castelo. O grupo foi preso na Vila Sarney Filho, em São José de Ribamar (região metropolitana de São Luís), mesma área que os um dos ônibus foi atacado.

Segundo a polícia, Hilton John Alves Araújo, 27, vulgo "Praguinha", recebeu as ordens de Jorge Henrique Amorim Martins, 21, o "Dragão", que lidera uma das facções que agem no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, para incendiar ônibus na capital maranhense.
Morte
Na manhã desta segunda-feira, morreu a menina Ana Clara Santos Sousa, 6, que foi queimada durante os ataques junto com a irmã e a mãe. Agora, são quatro pessoas internadas vítimas dos incêndios criminosos.

Quatro ônibus foram atacados na noite de sexta-feira (3) em retaliação a operação "Pedrinhas em Paz", dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, realizada pela Tropa de Choque da PM (Polícia Militar). Três dos quatro coletivos foram incendiados e cinco pessoas ficaram feridas, sendo elas duas crianças, a mãe delas, uma mulher e um homem.
Devido à insegurança causada pelos ataques, os ônibus deixaram de circular em São Luís na noite de sábado (4) e só retornam às 5h deste domingo. A paralisação do serviço de transporte coletivo, das 18h às 5h, continuou no domingo e nesta segunda-feira.

Durante a ação da polícia nos presídios, o prédio do 9º DP (Distrito Policial), localizado no bairro São Francisco, também foi alvo dos criminosos e teve as paredes atingidas por balas. A SSP (Secretaria de Segurança Pública) confirmou que as ordens dos ataques aos coletivos vieram de dentro dos presídios maranhenses em reação às ações.
Ainda na noite de sexta-feira, um policial reformado foi assassinado a tiros enquanto conversava com a namorada no bairro Maracanã. A polícia não confirmou se a morte do PM teve relação com as ordens dos presos de Pedrinhas, mas investiga o caso.
Na noite desse sábado, a delegacia do bairro da Liberdade, em São Luís, foi alvo de tiros. Os disparos atingiram a porta da delegacia e um carro policial. Não houve feridos.

Após os ataques aos coletivos, uma delegacia com um delegado, escrivães e investigadores será montada dentro do complexo prisional a partir desta segunda-feira (6). A equipe será formada por policiais da Delegacia de Homicídios, que ficarão em plantão extraordinário.
Ataques constantes
Os ataques a ônibus coletivos em São Luís e região metropolitana vêm se tornando constantes.
No dia 9 de novembro, dois ônibus foram incendiados, mas antes os passageiros foram roubados pelos criminosos. Os coletivos faziam a linha Bequimão e Alto da Esperança/Tamancão. Na mesma noite, homens armados mataram um PM e feriram dois durante ataques a trailers da polícia.
LOCAIS DE ATAQUES A ÔNIBUS E A DELEGACIA EM SÃO LUÍS (MA) EM 3.JAN.2014
·         Arte/UOL

Dois dias depois, a onda de ataques criminosos em São Luís continuou. Homens armados assaltaram um ônibus na Lagoa da Jansen e tentaram atear fogo no veículo na noite do dia 11 de novembro. Ao mesmo tempo, um outro grupo tentou invadir e colocou fogo no trailer da PM (Polícia Militar) do bairro Vila Nova, o mesmo que foi atacado no dia 9, e um policial que estava no posto foi assassinado a tiros.

Os ataques ocorreram na mesma noite o governo do Estado anunciava novos nomes para o comando da PM, o subcomando da corporação e o comando do Policiamento Metropolitano.

Estupros
As ações de violência ordenadas no Complexo de Pedrinhas foram relatadas pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que mostrou que mulheres e irmãs de presos que não são líderes de facções ou comandam pavilhões nos presídios são estupradasdentro das celas em dias de visita.
Há relatos também de estupros fora dos presídios, também ordenados por integrantes dessas facções.

Ainda segundo o CNJ, a disputa dos grupos pelo domínio dos presídios de Pedrinhas já causou diversos assassinatos e estupros em mulheres de presos que não são chefes de setor ou líderes, e acaba comprometendo a segurança do local.
"Em dias de visita íntima no Presídio São Luís I e II e no CDP, as mulheres dos presos são postas todas de uma vez nos pavilhões e as celas são abertas. Os encontros íntimos ocorrem em ambiente coletivo. Com isso, os presos e suas companheiras podem circular livremente em todas as celas do pavilhão, e essa circunstância facilita o abuso sexual praticado contra companheiras dos presos", informou o juiz Douglas de Melo Martins.
Por determinação do governo do Estado, a PM assumiu o complexo em 27 de dezembro. Apesar da ação, ele já registrou duas mortes em menos de 24 horas neste ano.

Violência em Pedrinhas
relatório do CNJ divulgado no último dia 27 de dezembro apontou que o domínio de facções criminosas que agem dentro dos presídios maranhenses deixam as unidades prisionais "extremamente violentas".

A maior parte das mortes tem relação com brigas entre as facções criminosas Bonde dos 40 --nome em alusão à pistola ponto 40-- e PCM (Primeiro Comando do Maranhão), facção ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Em um período de apenas 17 dias, dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas ocorreram três rebeliões e 18 presos assassinados. A maioria das mortes em Pedrinhas termina com a decapitação de presos.

O ambiente de extrema violência e segurança precária é exemplificado com o relato de um vídeo feito por agentes penitenciários durante uma rebelião, que mostra "um preso vivo com a pele do membro inferior dissecada, expondo músculo, tendões, vasos e ossos, tudo isso antes de ser morto nas dependências do Complexo Penitenciário de Pedrinhas".
domínio desses grupos criminosos dentro dos presídios do Maranhão impediram que fossem concluídas as inspeções do CNJ, realizadas em dezembro para traçar a verdadeira situação do Complexo de Pedrinhas.

Somente em 2014, dois assassinatos ocorreram dentro do Complexo de Pedrinhas. Na tarde desta quinta-feira (2), o preso Sildener Pinheiro Martins, 19, foi assassinado a golpes de ferros no CDP (Centro de Detenção Provisória). Na madrugada do mesmo dia, o detento Josivaldo Pinheiro Lindoso, 35, foi encontrado morto, com sinais de estrangulamento, no Centro de Triagem do Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

O senador José Sarney (PMDB-AP), maranhense de nascimento e uma das figuras políticas mais importantes do Estado governado pela filha dele, Roseana Sarney (PMDB-MA), chegou a comemorar, durante entrevista concedida a uma rádio de sua propriedade, o fato da violência, no Maranhão, "estar nos presídios e não na rua", conforme informou o blog do jornalista Josias de Souza.

O governo do Maranhão decretou situação de emergência devido ao descontrole e ao sucateamento dentro dos presídios maranhenses. Conforme informou o jornalista Josias de Souza em seu blog, a intenção da governadora Roseana Sarney é construirao menos 11 dessas unidades prisionais em regime de urgência, com dinheiro do BNDES e sem fazer licitações.

O governo do Maranhão informou que tem com recursos no valor de R$ 131 milhões para construção e reaparelhamento nas 32 unidades prisionais do Estado. Com esse valor, as unidades receberão armamentos, portais detectores de metal,  esteiras de Raio-X, estações de rádio, coletes, algemas e veículos.
O dinheiro é proveniente do Programa Viva Maranhão e serão construídos sete novos presídios sem licitação devido ao decreto de emergência de 180 dias para reestruturar as unidades penais.

Nesta segunda-feira, o Estado enviou à Procuradoria Geral da República um relatório das ações realizadas no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em resposta ao pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O documento faz críticas e acusações ao CNJ, que, também em relatório, denunciou crimes de direitos humanos na unidade prisional.

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