sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Pedetista faz homenagem a Leonel Brizola

O ex-prefeito, ex-deputado e atual vice-presidente estadual do PDT, Chico Leitoa, publicou artigo em homagem ao maior líder trabalhista do brasileiro de todos os tempos: o saudoso Leonel Brizola, que, ontem, dia 22, completaria 92 anos de idade se estivesse entre nós.
Brizola deixou um grande legado de coragem, coerência e, sobretudo, amor pelo Brasil. Faz muita falta ao nosso país o nosso “Briza”.
A seguir a íntegra do artigo.
BRIZOLA VIVE
por Chico Leitoa

Estátua de Brizola em corpo inteiro e em Bronze, inaugurada hoje na Rua Dom Sebastião, próximo ao Palácio Piratini, em Porto Alegre
Em 22 de janeiro de 1922, nascia no povoado de cruzinha, até 1931 Distrito de Passo Fundo, hoje Carazinho no Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola, pais extremamente pobres, de engraxate na infância, trabalhos simples na adolescência, sempre focado na educação como única forma de libertação, se formou em engenharia civil.
Desde a adolescência, já participando de movimentos, ingressou na política através de Getúlio Vargas, no PTB. Foi eleito Prefeito de Porto Alegre, Governador do Rio Grande do Sul, Deputado Federal e Governador do Rio de Janeiro por duas vezes. O único Brasileiro, eleito pelo voto direto, a governar dois Estados.
Quando da renúncia de Jânio Quadros da Presidência da República, seu Vice João Goulart estava na China. Tentaram impedir sua posse, Brizola liderou a Campanha da Legalidade, enfrentando as forças armadas, com o apoio de alguns generais que não concordavam com a manobra. Através da Rádio Guaíba, entrincheirado no Palácio Piratini, ele conclamou o povo brasileiro a resistir, se fosse o caso até com uso de armas. A repercussão foi muito grande e “adiou” o golpe. Mesmo com toda essa perturbação, Brizola construiu 6.000 (seis mil) escolas em seu mandato, o que até hoje tem efeitos positivos para o Estado e sua população. A tentativa dos militares tinha os Estados Unidos da América como avalista pois “temiam” que Jango adotasse um sistema de governo que ferissem seus interesses. Ameaçaram derrubar o avião que trazia Jango de volta.
Diante da crise, o Congresso Nacional, liderado por Tancredo Neves, aprovou Emenda Constitucional em sintonia com o Exército que mudou o regime de governo para parlamentarismo. Logo em seguida, setembro de 1961, Jango assumiu apenas como chefe de Estado e não de Governo. Em 1962, Brizola se elege Deputado Federal pelo Estado da Guanabara. Em janeiro de 1963, o povo brasileiro, por dez milhões a dois milhões, retornou o regime presidencialista. O governo de Jango foi conturbado com tentativa de golpe diuturnamente, que veio a ocorrer no dia 31 de março de 1964, onde grandes brasileiros, inclusive, o próprio Presidente e claro, Leonel Brizola foram “expulsos” da Pátria que defendiam.
15 anos depois, Brizola retorna ao Brasil. Na sua ausência, até seu partido de origem lhe tiraram. Reunidos em Lisboa, juntamente com outros líderes, dentre eles, Jackson Lago e Neiva Moreira, produziram a carta que serviu de base para a criação do PDT. Recebido como herói, foi reunindo gente e em 82 foi eleito governador do Rio de Janeiro, numa eleição em que ocorreu uma forte tentativa de fraude, evitada por intervenção do Partido. Até hoje o PDT questiona a fragilidade da eleição eletrônica…

Leonel Brizola, Chico Leitoa, Jackson Lago e Neiva Moreira
Dia desses estava sendo entrevistado na bandnews o jornalista Ricardo Boechat, sobre um estudo feito em 65 países, sobre Educação, em que o Brasil aparece em qüinquagésimo oitavo lugar, abaixo de vários pequenos países. Muitas abordagens e considerações, no final a entrevistadora lhe pediu uma opinião sobre o que fazer? Ele disse: olha, eu durante muitos e muitos anos fui um critico como jornalista, dos CIEPS. Um dia, já próximo à morte do ex-governador, lhe encontrei num evento e lhe confessei que estava equivocado, que reconhecia que era a grande saída. E ele de forma calma me disse: pois é, Sr. Ricardo, quantas pessoas hoje na idade de 25 a 28 anos não teriam outro destino! E Boechat encerrou a entrevista dizendo: É a grande alternativa, a Escola de Tempo Integral. Até os inocentes úteis condenaram o que hoje seria sua redenção e Brizola, nas últimas eleições, obteve resultados irrisórios.
Durante dezesseis anos tive muitos contatos com o Companheiro e Colega Brizola, desde minha primeira campanha, inclusive na inauguração de nossa Sede em Timon. A partir da penúltima campanha em 2004, não foi mais possível contar com ele, pois ele partiu no dia 21 de junho daquele ano, uma semana antes de eu receber o Prêmio Prefeito Amigo da Criança e destaque entre os mais de 1800 municípios do Nordeste Brasileiro, por cuidar bem das crianças e dos adolescentes. Com certeza, ele vibrou. Juntei-me a milhares de brasileiros e seus familiares em seu velório no Palácio Guanabara no Rio de janeiro, uma fila quilométrica se formou para o último adeus a um dos maiores brasileiros de nossa história.
Mas homens como Brizola não morrem, hoje será sempre o dia do seu aniversário. BRIZOLA VIVE!
Engenheiro Chico Leitoa
Militante do PDT há quase trinta anos.

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