quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Unidade prisional de Pedrinhas tem princípio de tumulto de detentos

Confusão aconteceu no bloco A do presídio nesta quinta-feira (16).
PM, Geop e Força Nacional contiveram os presos, afirma governo.


Um princípio de tumulto foi registrado na tarde desta quinta-feira (16) no bloco A da Central de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ) de Pedrinhas, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap). Grades das celas foram serradas.
De acordo com nota enviada pela Sejap, homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Grupo Especial de Operações Penitenciárias (Geop) contiveram os presos. A Força Nacional também participou da ação, mas dentro do que estava estabelecido como "rotina", segundo a pasta.
"Estão falando que está tudo tranquilo, mas nós ouvimos tiros lá dentro. O pessoal tem que entender que quem está lá dentro tem família aqui fora. Ninguém dá informação de nada", reclamou Marcilene Silva, que é mãe de um preso e está em frente ao complexo. Agentes da Força Nacional informaram ao G1 que foram utilizadas balas de borracha para conter o tumulto.
O comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, tenente-coronel Raimundo Sá, afirmou que o tumulto teve início por volta das 14h. Até as 16h30 (horário local), uma vistoria era realizada no presídio.
"A revista é um procedimento padrão, porque, como os presos estavam batendo nas grades, eles poderiam estar querendo desviar a atenção da polícia. Entre as reivindicações dos detentos está a celeridade dos processos, a retirada do choque de dentro de Pedrinhas e visitas", afirmou Sá. O tenente-coronel também informou que detentos continuam fazendo greve de fome em quatro alas na CCPJ de Pedrinhas.
Desde segunda-feira (13), os presos estão protestando contra a má qualidade da comida, a falta de assistência médica e, principalmente, a demora no julgamento de processos pela justiça.
O secretário de Estado de Justiça e Administração Penitenciária, Sebastião Uchôa, criou uma comissão para manter entendimentos com os detentos. Segundo Uchôa, em busca do atendimento às reivindicações, a Sejap já chamou a empresa que fornece a comida aos presídios para discutir melhorias.
Visita de comissão
Também na segunda-feira (13), a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal visitou as instalações do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, durante duas horas, aproximadamente. A senadora Ana Rita (PT), que preside a comissão, conversou com os presos.
De acordo com assessoria do Senado, o objetivo da visita à capital maranhense foi verificar a situação do sistema carcerário do estado. Estiveram em São Luís a presidente da CDH do Senado, Ana Rita (PT-ES) e o vice João Capiberibe (PSB-AP), além de Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Humberto Costa (PT-PE). Os senadores maranhenses Edinho Lobão Filho (PMDB-MA) e João Alberto (PMDB-MA) também fizeram parte do grupo.
Indenização para famílias
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Maranhão OAB-MA, Mário Macieira, disse, em entrevista à Rádio CBN, concedida na manhã desta quinta-feira, que a instituição vai propor ação civil pública para pedir que o Estado do Maranhão indenize as famílias dos detentos mortos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas e as vítimas dos ataques a ônibus realizados na noite de 3 de janeiro deste ano, em São Luís.
Segundo Macieira, a Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA também está acompanhando a situação das pessoas que ficaram feridas nos ataques a ônibus. A ação deve ser submetida ao conselho.
Violência
Uma onda de ataques a ônibus e delegacias aconteceu em São Luís na noite de 3 de janeiro. A ordem partiu de uma facção criminosa dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Quatro ônibus foram incendiados, duas delegacias alvejadas e cinco pessoas ficaram feridas. Ao todo, 22 suspeitos foram detidos por envolvimento nos ataques, entre eles, seis menores.
Entre as vítimas, a menina Ana Clara Santos, de 6 anos, que teve 95% do corpo queimado no ataque, morreu no dia 6 de janeiro. A irmã dela, Lorrane Beatriz Santos, de 1 ano e 5 meses, teve 20% do corpo queimado e recebeu alta médica nesta quarta-feira (15). A mãe das duas meninas, Juliane Carvalho Santos, de 22 anos, teve 40% do corpo queimado no ataque e continua estável, mas em estado grave, no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), em Brasília.
O entregador de frangos Márcio Ronny da Cruz, de 37 anos, que teve 72% do corpo queimado tentando salvar as crianças, está no Hospital de Queimaduras de Goiânia (HQG) e respira com ajuda de aparelhos. A operadora de caixa Abiancy Silva, de 35 anos, teve 10% do corpo queimado no ataque e está no Hospital Tarquínio Lopes, em São Luís, com queimaduras no braço direito e no abdômen. Ela ainda não tem previsão de alta, mas está fora de perigo.

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