domingo, 18 de maio de 2014

Miséria política: a questão não é genética

O que significa a pré-candidatura de Edison Lobão Filho a governador do Maranhão? É uma piada? Um blefe? A absoluta falta de opção do PMDB? O fim do “grupo Sarney”? A certeza da derrota? É o resultado das sucessivas cagadas de Roseana? É um desejo do ministro de Minas e Energia? Um atrevimento de um “filhinho de papai”? Ou Sarney quer transferir o ônus, do iminente fracasso eleitoral? Ele quer dividir o “prejuízo” com Lobão? O coronel não interferiu nesta escolha? Tem alguém, no PMDB, querendo ajudar Flávio Dino?
Estas respostas só virão com o tempo... De concreto, podemos dizer que Edison Lobão Filho, o Edinho, é a cara da política conservadora do Maranhão. Um exemplo característico da nossa tragicomédia! É o típico parente de fulano, que ganhou; de mão beijada; um mandato no Legislativo ou no Executivo. A própria Roseana Sarney é um exemplo disso! O mais significativo! Figura absolutamente despreparada, tudo que conseguiu (incluindo quatro mandatos de governadora), deve ao imenso poder, as inúmeras fraudes e a absoluta falta de escrúpulos de seu pai e padrinho político. 

Estamos falando de uma prática que vem de longe e cada vez mais é agravada no Maranhão. Se dermos uma rápida espiada na composição da “nossa” Assembleia Legislativa, perceberemos a consolidação do modelo, com vários exemplares desta “espécie”... É o filho, a esposa, o irmão, o neto, o genro ou sobrinho de autoridades do Executivo, Legislativo e do Judiciário, que estão ali para garantir seus proveitos e proventos...
Alguns não abrem a boca! Outros são mais espertinhos. Têm os playboys, as dondocas, os bacharéis, as donas de casa, os técnicos... Mas, independente da escolaridade, desenvoltura e estilo, eles evidenciam que o nosso parlamento estadual tornou-se, em grande medida, num “empreendimento” privado! Num rápido levantamento percebemos que cerca de 60% da atual Assembleia têm exatamente este perfil, sendo formado pela parentela de governadora, senador, ex-governador, prefeito, prefeita, desembargador, membros da justiça federal ou de algum ex-deputado que passou o “espólio” (o “curral” e o “gado”), para um dos seus. E se formos para a Câmara Municipal de São Luís ou para a bancada maranhense em Brasília, encontraremos vários outros exemplares...
Estamos falando da negação da política... Ou então, da absoluta deturpação desta atividade, pois é feita longe da esfera pública e pensada apenas como negócio. É a exacerbação do patrimonialismo, junto ao profundo descaso com os anseios da população. Uma ideologia cristalizada por estes anos de Sarney (mafiosa, como bem lembrou Leonardo Boff) e que está espalhada por vários partidos, inclusive entre os alinhados com a “frente de oposição”, que hoje gravitam ávidos, em torno do pré-candidato Flávio Dino.
Neste pequeno editorial; o primeiro após Luis Fernando ser abduzido; vamos registrar uma declaração de Edinho Lobão, publicada no Imparcial, de 27 de abril de 2014. Indagado sobre uma suposta “empolgação” que haveria em torno da candidatura dele, o filho, afilhado e suplente do senador-ministro, respondeu: “Essa empolgação política se deve aos mais de 32 anos de trabalho da minha família. São 32 anos mostrando, o que a genética e a família Lobão fez pelo Maranhão...” (sic). Ele associou política com genética! Só os nazistas chegaram a tanto!
Edison Lobão Filho é um Senador da República! É um absurdo, mas é! Ele revela a face mais escandalosa da elite deste sonho penoso, chamado Maranhão. Terra hoje assolada pela violência generalizada e pela miséria social e política... Com Edinho na ribalta, alguns falam dos 30%... A coisa é bem pior. O pré-candidato do PMDB é apenas conseqüência de uma cultura política. De um modo de agir que, infelizmente, está alastrado entre governistas e em muitos da oposição conservadora. E obviamente, este não é um problema genético. A questão é ideológica. É de formação. Precisamos, realmente, de mudanças! E temos que lutar por ela! Sem medo de escancarar e discutir publicamente os problemas... A clandestinidade, neste caso, só favorece o atraso.
*Editorial da 52º Edição do Vias de Fato· 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gilberto agradece pela sua participação no Blog Voz da Raposa.