segunda-feira, 30 de junho de 2014

Promessa e Fé Nos Festejos Juninos


Muitas são as motivações para celebrar as festas juninas. Homenagens a Santo Antônio, São João, São Pedro e São Marçal tomam conta das celebrações que duram todo o mês de junho, adentrando também o mês de julho, e que, para muitas pessoas, carregam um leque de significados. Entre as

inúmeras formas de comemoração do folguedo, a realização dos tradicionais arraiais figura entre os protagonistas da festa. Este, que pode surgir como forma de pagamento de promessas feitas aos santos juninos, toma conta dos terreiros de São Luís durante o mês de junho, sendo também realizado, em um único dia, em casas, ruas ou estabelecimentos comerciais, como forma de pagamento a alguma graça atendida.
Na capital maranhense, os arraiais de promessa trazem como marca registrada, principalmente, a apresentação de grupos de bumba meu boi. Flor de Liz Magda Amaral Santos, de 56 anos, realiza, há 16 anos um arraial na Rua 28, no bairro Cidade Operária, como pagamento de uma promessa feita em 1999. A festa, que já virou tradição entre os moradores do bairro, reúne grupos folclóricos e, claro, de bumba meu boi, sempre no dia 24 de junho, Dia de São João, para confraternizar e celebrar a graça atendida.
"Passei mais ou menos cinco anos com problema de saúde e minha mãe percebeu que esse problema aparecia sempre no mês de junho. Então, em 1999, fiz a promessa e fiquei rezando, e nunca mais adoeci. Desde então, comecei a fazer os arraiais, primeiramente no Anil, que era onde morava com meus pais. Depois que me mudei trouxe também para a Cidade Operária", conta.
A principal atração do arraial é a apresentação dos grupos de bumba meu boi. A história de Flor de Liz com a brincadeira começou ainda na infância, por influência de seu pai, que era um dos representantes do Boi de Axixá. Sempre que o grupo vinha para a temporada junina em São Luís hospedava-se na residência de Flor de Liz, que na época morava no bairro Anil. "Meu pai sempre foi devoto de São João e o Boi de Axixá sempre ficava na nossa casa, pois meu pai era um dos representantes locais do boi. Então, desde que eu tinha 2 anos, eu convivo com a brincadeira", afirma Flor de Liz.
Barraquinhas, comidas típicas, manifestações folclóricas, confraternização, além, claro, dos agradecimentos compõem o espírito do arraial de Flor de Liz, que garante que a brincadeira só tem crescido com o passar dos anos. "Todo mundo da comunidade participa e colabora, já virou tradição. Temos parcerias com grupos folclóricos, com a Fundação Municipal de Cultura (Func), então é uma festa muito bonita. Enquanto viva eu estiver, sempre vou fazer o arraial", assinala.
Homenagens - Mas não só de arraiais são feitas as homenagens aos santos juninos. A referência também pode vir no nome de inúmeros Joões, Pedros e Antônios, que ou nasceram nas datas em que se comemora o dia desses santos ou, ainda, levam o nome por promessa ou devoção dos pais.
O costume é alimentado, principalmente, pelos mais velhos, que prestam homenagens, por meio de seus filhos, aos santos de que são devotos. O comerciário João Batista Ribeiro Cantanhede, de 58 anos, nasceu em 24 de junho de 1956, Dia de São João. Sua mãe, devota do santo, foi agraciada com o nascimento do filho no mesmo dia em que se celebra a data religiosa e, por isso, decidiu homenageá-lo.
"Naquela época a minha mãe era devota de São João e, por coincidência, eu nasci no dia 24 de junho, que é o dia dele. Então ela resolveu colocar meu nome igual ao nome do santo. Na época nós morávamos em São José de Ribamar e lá sempre teve festas juninas e sempre participávamos", conta João Batista.
Por ter nascido no dia do santo junino, todo ano as comemorações são em dobro. Bandeirinhas coloridas, quadrilhas, entre outras brincadeiras compõem a festa que celebra o aniversário do comerciário e o Dia de São João, uma comemoração “dois em um” que já virou tradição entre a família. "Sempre faço festa. É uma tradição. Enfeito com bandeirinhas, faço quadrilha, brincadeiras juninas, é uma grande festa. Tudo para homenagear o santo e também a mim, que nasci nessa data", brinca.

Origem das festas juninas

Antes de se tornar uma festa em comemoração vinculada aos santos do catolicismo, as celebrações no mês de junho já eram realizadas muitos antes da era cristã. O solstício de verão no hemisfério norte ocorre em 21 ou 22 de junho, quando temos o dia mais comprido e a noite mais curta do ano. Os povos antigos, incluindo as civilizações gregas, egípcias e celtas, comemoravam essa passagem do calendário. Regadas com o calor do fogo e muita bebida e comida, eram celebrações à fertilidade e também para rogar aos seus deuses para que eles trouxessem fartura nas próximas colheitas.
Em Portugal, a Igreja dedicou o mês de junho à celebração dos seus santos populares. Santo Antônio de Lisboa (ou Santo Antônio de Pádua) é comemorado no dia 13 de junho, São João Batista em 24 de junho e São Pedro em 29 de junho.
Essa mistura entre festas cristãs de santos e folguedos pagãos recriam até hoje novas práticas culturais. Os rituais foram trazidos principalmente por portugueses ao Brasil colonial; mas houve a contribuição dos espanhóis, holandeses e franceses, o que deu origem a diversos tipos de celebrações nas diferentes regiões do país. A miscigenação étnica entre índios, africanos e europeus fez brotar no país uma série de belas expressões artísticas, como cantorias de viola e cordéis; emboladas de coco e cirandas; xote, xaxado e baião, sem falar nas quadrilhas e forrós.
Fonte: Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo

Fonte: O Estado do Maranhão 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gilberto agradece pela sua participação no Blog Voz da Raposa.