quarta-feira, 1 de julho de 2015

Festa de São Marçal movimenta comércio e atrai milhares de pessoas

Milhares de pessoas estiveram no bairro do João Paulo nesta terça-feira (30) para celebrar o encontro de bois de matraca do Dia de São Marçal. Cerca de 20 grupos passaram pela Avenida João Pessoa e mantiveram uma tradição de fé e devoção que já dura 88 anos. Neste ano, homenagens especiais foram feitas a Humberto de Maracanã, falecido em janeiro deste ano, e a José Costa Reis "Chiador", que tem 76 anos e é cantador do Boi de Ribamar há 21 anos.

A festa do encontro de bois de matraca ocorre todos os anos por vontade e amor à tradição dos próprios grupos, com organização do Instituto São Marçal e apoio do Governo do Estado, que ofereceu dois palanques, estrutura de som, 50 banheiros químicos e segurança da Polícia Militar, que colocou pontos estratégicos de observação para melhor monitoramento da festança. Neste ano, o Instituto São Marçal também distribuiu 120 troféus aos amos e diretorias de bois de matraca participantes, como forma de também homenagear aos grupos.

Diversos bois de matraca tradicionais passaram pelo local como os de Maracanã, Matinha, Ribamar, Maioba, Riso Mocidade de Timon, Estrela Dalva da Vila Vitória, Itapera de Maracanã, Iguaíba, Juçatuba, Itapera de Icatu, do Maiobão, da Mata e de Santana. Para o presidente do Instituto São Marçal, é uma festa tradicional que deve ser mantida pela eternidade. "Quem realiza a festa são eles, nós do instituto só organizamos. Qualquer grupo de matraca pode vir e fazer suas toadas, pois é uma confraternização dos bois de matraca em homenagem a São Marçal", disse, também acrescentando que a tradicional feijoada feita e distribuída aos brincantes em parceria com o 24º Batalhão de Infantaria Leve reuniu 30 quilos de feijão, além dos ingredientes.

Um dos homenageados, Chiador, estava emocionado por estar no local, em mais um ano de encontro de bois. Segundo sua esposa, Rosa Pereira dos Reis, de 66 anos, foi um ano difícil para o antigo cantador, que está com Mal de Alzheimer e tem problemas de diabetes, do coração e próstata, precisando passar por exames toda semana. Porém sua disposição em estar no meio dos bois nunca passou. "Desde janeiro, quando começaram os ensaios, todo dia ele perguntava se já era sábado, só para participar e estar junto. Ele está muito feliz aqui, se lembra e canta de várias toadas, e se não fosse a gente pra cuidar, já estaria no meio povo", afirmou Rosa.

A festa contagiou muito os presentes, que com suas matracas, fazem questão de cantar e fazer parte das toadas. O aposentado Manoel Marinho, de 77 anos, marca presença há oito anos e declarou ser grande fã do Boi de Maracanã, dizendo que "só Deus sabe" do quanto ele gosta da festa.

Trabalho e renda

O evento também foi uma ótima oportunidade para os comerciantes locais. No ano passado, o dinheiro que conseguiu na venda de churrasquinhos na festa de São Marçal possibilitou à vendedora Francisca Silva, 51 anos, reformar uma parte da sua casa. Este ano, ela já mira a ampliação da residência. "Já faz mais de 20 anos que vendo churrasquinhos em São Marçal. A hora que tem mais movimento é no final, perto de terminar, quando o pessoal que é fã do Boi da Maioba já está com fome", completou a experiente comerciante.

A festa de São Marçal também é uma ótima chance de lucro para bares e restaurantes do João Paulo. Segundo Samara Prazeres, de 42 anos, que ajudava sua mãe Bernadete Barroso no Restaurante Dona Beta, em dias normais, a quantidade de mocotó vendido chegava a 8kg, mas em Dia de São Marçal, são preparados 15 kg. "O comércio daqui, no geral, é muito beneficiado, porque fica muito mais movimentado. Em dias comuns, vendemos apenas três grades de cerveja, mas hoje vendemos mais de 40 grades", comentou a Samara.   

São João de Todos deixa saudades

Milhares de pessoas passaram pelos mais de 20 arraiais e pontos de cultura nesta segunda-feira (29). Ao longo da programação organizada pelo Governo do Estado, quase mil grupos folclóricos – entre grupos de bumba meu boi, tambores de crioula, quadrilhas juninas, danças do coco, cacuriás, danças portuguesas e shows musicais – estiveram nos palcos e nas praças do São João de Todos. A média foi de seis apresentações por noite em cada um dos arraiais. O sucesso do ‘São João de Todos” deixou o público com saudades.

Em todos os pontos culturais do festejo junino promovido pelo do Governo do Estado, a tônica foi a variedade da programação, geração de trabalho e renda e o conforto do público, que satisfeito, aprovou o que viu. Pontos tradicionais de apresentações culturais foram recuperados, como o Ipem e o Parque Folclórico da Vila Palmeira, que receberam os arraiais de referência Donato Alves e Humberto de Maracanã, justa homenagem aos grandes ícones da cultura maranhense, falecidos em 2014 e 2015, respectivamente, além de Mestre Apolônio, que faleceu também este ano e deu nome ao Arraial da Praça Maria Aragão.

No Arraial Humberto de Maracanã, na Vila Palmeira, famílias inteiras puderam, além de apreciar as apresentações, usufruir das mais de 20 barracas de comidas típicas, de um parque de diversões, do conforto de banheiros químicos limpos. O consumidor teve acesso a produtos de vendedores que receberam concessões do Governo Estadual para conseguir renda extra no período, a exemplo de Ubiratan Santos, conhecido como “Maioba”, que vendeu 30 chapéus enfeitados durante o São João. Ele falou, que tudo correu bem nas festas deste ano e ressaltou a reforma feita no Parque Folclórico. “A reforma facilitou minha vida e da minha esposa, foi fácil entrar aqui. E as vendas foram muito boas, terminei de vender tudo no domingo e estou no meu dia de folga pra ver as brincadeiras. Gostei muito da programação, muito variada, cada dia uma coisa diferente”, falou, com empolgação.

Em todos os dias de São João, os vários pontos culturais e arraiais espalhados pela cidade facilitaram muito a vida dos moradores de diversos bairros, garantindo acessibilidade para pessoas de todas as classes. Quem ficou muito gratificada com o arraial de referência da Vila Palmeira foi a pescadora Ildenê Costa Pontes, que mora no bairro Santa Júlia, no entorno do local. Satisfeita, ela disse que demorava apenas quinze minutos a pé pra chegar ao arraial. “Eu amei tudo, principalmente pela segurança. Todos estão falando que está ótimo, muito organizado, muito seguro, e dá pra ver isso até pela quantidade de crianças que tem aqui”, completou.

Confirmando a observação de Ildenê, a autônoma Keiliane Matos, de 22 anos, carregava seu filho de apenas quatro anos, Davi dos Santos, no colo. Vinda da Divinéia, ela disse que queria estar em um grande arraial e escolheu o Arraial Humberto de Maracanã, por ser mais próximo. “Está ótimo o arraial e neste aqui dava para vir com meu filho. Aqui a gente se sente seguro e é bom trazê-lo aqui, para ele ver a brincadeira e gostar da cultura do nosso estado”, afirmou. 

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